Hoje faço 35 anos de idade, não resisti a uma breve incursão pelas memórias, no entanto não escolhi nenhuma das minhas, escolhi antes uma memória da minha mãe "...no dia que tu nasceste estava a dar o Festival da Canção, e a música que representou Portugal foi do Paulo de Carvalho (E depois do Adeus), que um mês e pico mais tarde foi a música da revolução dos cravos...". Para uma esquerdista de luta e de ideais isto tem um sentido abrangente, para mim também, não por estar consignado mas porque a letra da música levanta questões, emoções e deixa reticências para o rumo da vida. Acompanha-me estes anos todos e é um prazer renovado ouvi-la...
versão original do festival em 02 Março de 1974
2 de março de 2009
27 de fevereiro de 2009
AO VIVO

Alguns sentados nos muros, outros em grupos de pé, muitos ansiosos. O alarde corre por entre corpos, motim mal organizado, fumo de cigarros e fumos com fragrância das Índias, esvaziam-se no ar da noite. Mãos coladas em garrafas de cerveja e boa disposição. Conversas insuficientes, não que sejamos todos tolos, mas a cabeça já se matriculou num curso que durará duas horas, onde somos alunos, professores e matéria. Alguém grita mais alto o nome de alguém, olhamos e sorrimos mesmo antes de olhar porque sabemos que é um dos "nossos", não falha! Camisola preta com o nome gravado em letras brancas, mais um faz sempre falta! Em bicos de pés reparo no que me rodeia, satisfaz-me os milhares, idades muitas, família que se veste parecido, com um fim claro: dar tudo e receber tudo. Abriram as portas...
Um dia gostava de filmar as caras, espera-los lá dentro para ver o que vejo em mim e o que consigo ver nos que me estão mais próximos: a emoção contida a transbordar, o orgulho de ser fragmento, a alegria da primeira vez, o ar apressado para encostar nas barreiras e a certeza que vamos fazer parte. A entrada é um momento que gosto particularmente, o frenesim estrondoso de uma massa humana, o deslumbramento com a sala, mesmo que seja a trigésima vez que lá entramos, os sons da acomodação anárquica e os olhares perplexos a constatar o momento. Corta-se o cordão que nos liga ao mundo e passamos a ser um "gigante". Apagam-se as luzes...
Momento de silêncio que dura um milésimo de segundo, depois, os gritos guardados, os assobios, as mãos no ar e as vozes nossas que ecoam até ao tecto e voltam. A delonga está no fim e até esse instante é delícia. Acendem-se todos os focos e os primeiros acordes rebentam...
Agora somos sons, somos movimento desordenado que olhado de cima é perfeitamente simbiótico, somos ouvidos sem filtro, somos poros abertos a transpirar e a sugar, somos boca e garganta de mil notas, somos corpo em erupção, somos o palco do palco. Mais uma vez olho em meu redor, faço-o sempre num refrão poderoso e conhecido ou num momento de uníssono, vejo fulgor e a vontade burlesca de todos em participar de uma forma marcante, vejo calor e as faces brilhantes de exaltação, vejo comunicação e energia lançada para o palco e rebatida para o povo. Sinto-me feliz e no correr do tempo, salto, grito, canto, aplaudo e vivo muito... A última nota, a despedida calorosa e arrepiante que faz crer que podia começar tudo de novo! Acendem-se as luzes do fim...
Corpos suados e lentos, cambaleiam para a saída. Vozes fracas e roucas, poucas, porque a memória ainda junta tudo e a vontade é de lembrar. Olhos vidrados de encantamento. Zumbido que atenua o rigor de voltar à generalidade. Desaparecemos vultos pelas ruas...
22 de fevereiro de 2009
Sem fim...

És tu. Sim tu. Que abres os olhos e lês estas letras atadas com laços de ferro. Tu que me forças a mente e me atolas as mãos. Tu que fazes de mim escravo da delícia do texto. Tu que tens meus braços como marionetas e jogas com eles, cansas-me deles até que doem, da dor passam a adormecidos, do dormente passam a prazer e continuam.
É para ti que me vergo e componho, é para ti que os meus olhos não piscam e mergulham num mar sem fundo, e quanto mais desço mais luz tenho mais morno fico, passo a tinta ao papel num degusto lento que sabe a muito em pouco tempo.
É por ti que me perco no labirinto, quero-me perdido com a saída à vista, deambulo por entre pensamentos e questões e vou sumido de novo. É por ti que conheço prazeres infindáveis, lugares de volúpia constante, frenesim de versos e música. É por ti que canto com os dedos e danço com a mente.
Será para ti tudo que falta na folha branca, será para ti os gestos futuros dos meus pulsos, será para ti o desabafo, abraço e a culpa,será para ti a vírgula desnecessária, será para ti a próxima linha, o seguinte capítulo, a história, sem fim, sem ponto final
Obrigado
20 de fevereiro de 2009
Destino Improvável

Ele vendia balões perto de um jardim com lago. Ela estudava em Belas Artes mas já pintava.Ele vivia pacato, dois amigos e dois telefonemas da mãe, por semana. Ela vivia cheia, cem amigos e três irmãos.Ele ganhava o certo para pagar renda, comida e cinema. Ela ganhava por exposição, incerto.Ele vendia balões das cores do mundo. Ela pingava no quadro paisagens perfeitas.Ele serve-se do carvalho para não derreter. Ela serve-se do sol para não derramar.Ele guardava os balões às cinco e deitava-se na relva. Ela pintava para lá das cinco e dormia na tela.Ele assobiava o som dos pássaros, de mãos atrás da nuca. Ela sentava num tronco de perna cruzada.Ele de camisa azul e calça branca. Ela de vestido lilás e lenço laranja.Ele viu-a e corou. Ela viu-o, não respirou.Ele de mãos nos bolsos aproximou. Ela parada rejubilou.Ele chegou, pousou como na formatura. Ela desceu, tapou o sol.Ele sorriu e deixou o tempo passar. Ela segredou o fim do pingar.Ele correu, juntou todos os fios, todos os balões e correu. Ela esperou perto da tela, retocou com vermelho.Ele, balões na mão direita. Ela, pincel na mão esquerda.Ele e Ela, abraçaram-se e num pulo só... Entraram na tela e voaram, voaram, voaram, presos por fios e feitos de tinta. Para sempre.
11 de fevereiro de 2009
Delírio
Beija-me a bocaApetece-me o sabor do teu cuspo
Aquece a língua no meu hálito
Sê, só boca
Escorre-a nos meus lábios
Suga-me liquido, quente
gruda, sem ar
os lábios nos cantos e
os cantos nos lábios
Dança, como fole carnudo
Sem ritmo, escassos momentos
repente de quase união
Nem toque, nem carne
Nem húmido
Só ferve ar por entre arfar
Curto lance, enlace
Junta tudo mais meloso,
gasoso, guloso
Fica, perde a água toda
"BESTAS"
A condição que os faz pequenos é a mesma que os tolhe e deixa agonia à sua passagem.
Estou farto do coitado, estou atulhado da pessoa infeliz de braços cruzados.
Enjoa-me os tormentosos do nada, os que pelos olhos aguados se munem de gente em redor do seu vazio.
Não posso mais com os sorrisos pálidos dos punidos que carregam uma cruz de esferovite pintada da cor do sangue, que nem corre nem verte.
Enfastia-me a fama bacoca e solta de notas esvoaçantes à espera de um molhe de gente de mãos no ar.
Repugna-me quem ilumina o caminho com luz alheia e se sente mais do que a própria pobreza.
Viola-me o triste mendigo da mão do próximo que não tem mão nele, não tem mais do que lágrimas secas que são cordas para prender almas.
Entristece-me o monge falso de véu que estende passadeiras vermelhas para invocar cortesias mascaradas na sua solidão.
Reprovo o pérfido anão em terra de gigantes, porque está de joelhos, socorre-se de braço humano quando tem energia para se erguer sozinho.
Não compreendo o poderoso de bolsos atestados que desfila com o cobre à vista, esperando ser seguido pelo cintilar da ambição.
Escarro o menino pintado com lágrima a deslizar pela face que tenta o lenço perfumado a que não tem direito pelo sofrimento inócuo.
Execro o hipócrita de cabeça baixa que entusiasma o outro com cartazes de clemência.
Abomino aquele que pensa que a ausência faz tremer os presentes. A ausência dos inúteis nunca foi notada.
Grito. Grito alto, de tamanho e paragem.
Estou farto do coitado, estou atulhado da pessoa infeliz de braços cruzados.
Enjoa-me os tormentosos do nada, os que pelos olhos aguados se munem de gente em redor do seu vazio.
Não posso mais com os sorrisos pálidos dos punidos que carregam uma cruz de esferovite pintada da cor do sangue, que nem corre nem verte.
Enfastia-me a fama bacoca e solta de notas esvoaçantes à espera de um molhe de gente de mãos no ar.
Repugna-me quem ilumina o caminho com luz alheia e se sente mais do que a própria pobreza.
Viola-me o triste mendigo da mão do próximo que não tem mão nele, não tem mais do que lágrimas secas que são cordas para prender almas.
Entristece-me o monge falso de véu que estende passadeiras vermelhas para invocar cortesias mascaradas na sua solidão.
Reprovo o pérfido anão em terra de gigantes, porque está de joelhos, socorre-se de braço humano quando tem energia para se erguer sozinho.
Não compreendo o poderoso de bolsos atestados que desfila com o cobre à vista, esperando ser seguido pelo cintilar da ambição.
Escarro o menino pintado com lágrima a deslizar pela face que tenta o lenço perfumado a que não tem direito pelo sofrimento inócuo.
Execro o hipócrita de cabeça baixa que entusiasma o outro com cartazes de clemência.
Abomino aquele que pensa que a ausência faz tremer os presentes. A ausência dos inúteis nunca foi notada.
Grito. Grito alto, de tamanho e paragem.
5 de fevereiro de 2009
CONSCIÊNCIA?

Nasci eu, no mesmo dia, alguém escolhe o Anjo que me acompanhará pela vida fora. Nascemos, e a todos é destinado um Anjo. Tenho a certeza que haverá um Anjo para cada um de nós, e que o mesmo Anjo acompanha várias vidas depois da nossa.
O meu Anjo tem um ar velho, como se tivesse cem anos, revela-se vezes sem conta, e apresenta-se em forma de vapor, imaginem o fio de fumo que sai da panela ao lume nas vossas cozinhas, ganha contornos de homem e segue-me do meu lado direito, rasante a mim e ao chão.
Não é pesaroso nem molestador, tem dias e noites que o esqueço, nem dou por ele. Mas está lá. O meu Anjo gosta de mim e tem um natural e profundo conhecimento das coisas. Sempre que preciso, olho, e às vezes, muitas, só com o olhar me diz o que quero saber. Outras, falamos, mas é de poucas falas, é velho e custa-lhe proferir muitas palavras, esta é a minha visão, mas sei que a prosa que usa é precisa e imprescindível. Eu inquiro tudo, mas daquela boca fumada só sai o útil, o fatal.
Nestes últimos anos, primeiros de profundidade, uso-o amiúde, questiono, pergunto com o olhar e ouço, retenho e aprendo. Todavia, nem sempre foi assim, muitos anos o ignorei, achei que era como a inocência, um dia perdemo-la! Ele, sem desvios no caminho, acompanhou-me do céu ornado de estrelas até à sentina mais repugnante, sem interferir, sem queixume ou ressentimento.
Aprendi, vi a sua importância, senti o seu poder na minha vida, e na vida de quem me rodeia. Está para servir e eu para me servir dele, não age preventivamente, não me chama, não me culpa, não me acolhe, não me castiga e nem moraliza. Mas está lá, quando duvido, quando hesito, quando receio, quando acredito, quando caminho. Só tenho de o trazer antes da decisão, e aí, é equilíbrio.
Sempre que o esqueço, não o convoco ou prescindo, cometo erros ou tenho sorte.
2 de fevereiro de 2009
Pôr-do-Sol

Chegamos lado a lado, demos as mãos e seguimos, a par marcamos a primeira pegada, uma minha e outra dela, continuamos... Areia húmida, pensei: os Deuses juntaram-se e com um leve sopro pentearam toda a praia, todas as praias, porque não sabiam qual é a nossa!
Nós e o silêncio humano. As ondas breves, cadentes e quase mudas, com um sussurrar que era carícia, mimo, beijo na face. Como lençol curto, deixavam a descoberto pontinhos de pedra em forma de beijos largados por sereias como boas-vindas.
Frio, o dia mais frio, mas seco não chorado, (se fosse a pedido não tinha sido tão exigente) e o olhar confirmava! Nem viva alma, nem cascos a fazer aquele corte artificial na água que se prolonga mais do que queremos ver, nada, só uma tranquilidade que nos mitigava a mente, só nós e as marcas que tatuamos com os pés naquela pele lisa, bege. Sem dor.
Dava ares de trono! Rocha esculpida, perdida entre as demais. Encontrada, por ela, como se soubesse que ali nascera, sem empeçar, sentou... Coisa certa! Era ali o seu lugar! Olhar no mundo, serena, pronta para a primeira vez, tive a sensação que tudo estava no seu lugar. Ela, o Mar e o Sol, e o meu olhar a olhar para o olhar dela a olhar tudo isto.
Faltava um palmo, era o que separava o Astro do seu banho. Pujante, laranja de vigor, fervilhava de feliz, aproximava-se o descanso, o sono merecido. Chegava a casa.
Pairamos, tudo parou e quase o mar calou... O céu limpou de aves e nuvens, o vento sossegou e pôde respirar fundo para novas viagens, eu estarrecido com medo de falhar e até a linha do horizonte se pôs mais horizontal! Iniciou...
O regaço de uma Mãe a acolher um filho, devagar, e ele a presentear com calor e a temperar os seus braços de água, derretiam-se de ternura, e assim foi, lento, pausado, belo... E eu lento, pausado, mergulhado no olhar dela, e nós lentos, pausados, deslumbrados com a encenação... Aconchegou-se todo, entregou-se sem reservas.
Como despedida, presenteou-nos com fios ténues de vermelho alaranjado, que acenavam melancólicos e imortais. Persistimos para lá da intenção, degustamos lentamente, viramos costas... Já uma bela senhora se engalanava para uma noite cheia!
Demos as mãos e seguimos.
O ÚLTIMO DIA ( parte II )

Entrou, sem bater, tirou as roupas pesadas e húmidas. Estava em casa, janela aberta, cortinas esvoaçantes, vento leve, ameno, com cheiro a campos de milho, sol. Debruçou-se no parapeito, alto.
No horizonte o mar, calmo como rio, do mesmo azul que o céu, pareciam um só. Os sons calmos, da brisa, do pipilar das aves e por vezes dos sapatos dos miúdos em correrias.
Aspirou o ar de rua, ao expirar suspirou! Pensou, sorriu. O tempo quase parado, a brisa entrava, rodopiava, oferecia-se à pele, que a recebia com todos os poros. Abriu os braços como se quisesse abraçar tudo o que via, olhou amplo e viveu.
Os sinos da igreja soavam nove badaladas e do silêncio, como que a celebrar, a carrinha do peixe chega e com ela o megafone pelo qual se faz anunciar. O movimento começou a aumentar aos poucos, com melodia e tradição, estava tudo perfeito, por dentro e lá fora.
Procurou um disco, pegou-lhe, e quase em acto de sedução, retirou o vinil, soprou. Levantou a tampa do gira-discos... Baixou a agulha... "...Don`t worry about a thing, `Cause every little thing gonna be all right...". Sentou-se, fechou os olhos e ouviu. Cantou.
Ontem foi o último dia de "Inverno".
O ÚLTIMO DIA ( parte I )

O dia arrasta-se lento. Já começou tarde, e mesmo tarde, parece comprido demais para quem não sente as pernas. O peso segue no mesmo rumo, empurra-se demorado, desce e fere tudo por onde passa. Que leve corpo escravo do pensamento devoluto, que do estéril reproduz e se transforma em monstro desmedido.
Brisa sem quente sem frio, que não passa, estala nas mãos, murcha os lábios, sempre de frente, venta sempre de frente. Corpo frio em esforço, pesado de nada, pesado de tudo que que as palmas não sentem. No fundo os pés, um à frente do outro, e por baixo cinzento molhado, veloz e desfigurado, chão. Venta sempre de frente, olhos abertos, cabeça baixa e cinzento molhado, chão.
Carência de caminho, sem casas, sem passeios, sem peões, sem luz, sem paragens, só linha contínua, contra o vento, contra o tempo que não corre nem pára. A sombra que atormenta, nasce sem sol e cresce, cresce, cresce e pesa.
Carência de caminho, sem casas, sem passeios, sem peões, sem luz, sem paragens, só linha contínua, contra o vento, contra o tempo que não corre nem pára. A sombra que atormenta, nasce sem sol e cresce, cresce, cresce e pesa.
Segue na frente, escurece o cinzento, aumenta o sacrifício, mas comanda em pontas de veneno. Procurou, procurou no vazio, procurou na amplitude negativa, no breu, e achou! Portada negra de ferro sujo. Bateu com estrondo, começou a extinguir-se e desapareceu, a sombra. O corpo, cativo, dominado e arrastado, nem som nem toque.
30 de janeiro de 2009
corpo suor

Cabelos longos soltos, escuros de brilho, dançam a um ritmo desconcertado, hipnóticos de fascínio e faltos de mão. Poder de ocultar e desvendar com espera o raiado dos olhos e o húmido da boca. Em repouso parecem fios de água em queda, despenhados em ombros de fragas curvas que harmonizam o embate.
Nesta voragem, entreabertos de volúpia, os dois, cor de mar, misturados de rímel e desmaio. Já só sentiam.
Abaixo, lascivos e grossos, extremos rosados. Infindáveis nas formas quando se entregam lavados de saliva, ar quente raro e língua, influem e criam o delírio.
Como se fosse foz, pescoço, todos ribeiros de suor tinham destino, gota após gota, da concha do ouvido até ao primeiro osso do peito...
Peito ofegante, sinuoso no movimento do corpo e no toque das mãos, rampas redondas divididas por leito de desejo escorrido até ao mar calmo de pele lisa, que se estende, estende, afunila e reabre como baía em terra. Braços delgados, fortes no enlace, nervosos de sítio com extremidades finas, garras de ave que cravam sem dor e rasgam, cortes fundos e prolongados.
O âmago envolvido de ventre, refúgio de tresvario e imprudência, cheira a iguaria sem nome, paladar sápido. Protegido com coxas justas de tez branca, propalam e já nada guardam, e afastam-se pelo calor insuportável do pulsar. Este mundo repousa num conjunto globuloso, carnoso, de saliência divina, nasce onde morre o dorso, renasce e multiplica o desejo, contínuo, une-se à epiderme da perna num trajecto indecifrável, extra-sensorial, arrepiante, aí vertigem…
Descida, longas e poderosas. Tenazes de rótulas pequenas, curvilíneas de músculo e pés cruzados, que asfixiam, que prendem e sufocam, sufocam… Matam de prazer.
28 de janeiro de 2009
CONTIGO em mim
Roubaram-me! Roubaram-me para sempre, sem retorno e sem volta! Deixaram-me sem consolo, sem tecto, sem dentro, esburacaram-me e agora sinto este frio intenso que me percorre a pele e não se aloja, vaguei-a como se oco, eu fosse. Não parem esta frente, façam de mim o aconchego dos ventos polares, deixem-me glacial, é tudo que vos peço!
É assim que mantenho intactas as memórias, a imagem e o seu corpo quente.
É assim que levo comigo a sua voz, a sua força e os seus passos pequenos que alargam os meus.
É assim que de mão dada vou, repleto de inocência, com ele: fortaleza, abrigo, herói.
É assim que não controlo as lágrimas de júbilo, que não largo o abraço (que abraço) no dia do meu enlace.
É assim que quero estar, ali, parado a ver o seu beijo na pele de quem sou Pai.
É assim que sinto o seu choro, que bonito o seu choro! Eu imito o seu pranto.
É assim que me tento, na sua jovialidade, nas suas aventuras e no seu destemor.
É assim que o reconheço, ponte entre gerações, indomável, filantropo.
Não vou aquecer, quando aqueço esqueço, goteja da alma pedaços de ti.
Não quero saudade, quero-te cá, quero-te comigo, quero-te em mim.
Porque em mim és calor, a grande chama. Exaltação.
Em memória do meu PAI
É assim que mantenho intactas as memórias, a imagem e o seu corpo quente.
É assim que levo comigo a sua voz, a sua força e os seus passos pequenos que alargam os meus.
É assim que de mão dada vou, repleto de inocência, com ele: fortaleza, abrigo, herói.
É assim que não controlo as lágrimas de júbilo, que não largo o abraço (que abraço) no dia do meu enlace.
É assim que quero estar, ali, parado a ver o seu beijo na pele de quem sou Pai.
É assim que sinto o seu choro, que bonito o seu choro! Eu imito o seu pranto.
É assim que me tento, na sua jovialidade, nas suas aventuras e no seu destemor.
É assim que o reconheço, ponte entre gerações, indomável, filantropo.
Não vou aquecer, quando aqueço esqueço, goteja da alma pedaços de ti.
Não quero saudade, quero-te cá, quero-te comigo, quero-te em mim.
Porque em mim és calor, a grande chama. Exaltação.
Em memória do meu PAI
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